segunda-feira, 22 de maio de 2017

Prints: água-viva.jpg

Mesmo esse tanto mínimo de vida
misturado ao sal das ondas inférteis,
quase dissolvido no mar que o cerca,
será, pra quem se aventura a nadar,
como um veneno que te queima a pele,

que te faz lembrar, devolvido à areia.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Prints: 2666.jpg

Depois do isolamento, no fim fica
(com todo impedimento e toda a zica)
a tese inexistente que me explica.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Prints: presa.jpg

Sou um cão que nunca late.

Só morde e é mordido

sábado, 25 de março de 2017

Prints: dissimulação.jpg

Poderia ter sido
numa festa qualquer.

Foi no rápido raio
da chuva de verão.

Às vezes a verdade
só existe no deslize,
numa audácia do acaso.

E agora você sabe.

Algumas pessoas esperam
com as mãos geladas, mas outras

conseguem tê-las sempre quentes.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Prints: eros.jpg

De novo a benção de um deus cruel
será demais pra um cara como eu.
Olhos que lambem minha mente burra,
Desejo, eu curto a luta, não a surra.

Picante, doce, amargo, azedo, (azar!)
por entre as coisas ditas sem pensar
e pela tão pensada nunca dita

me perco, a hora passa, isso me frita.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Prints: stand.jpg

Ela tinha o poder
de se manter a um metro
e meio de distância.

Nunca menos, nunca mais.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Tetris (Remix)

[Remix de uma canção escrita com Hudson Caldeira.]

Caindo devagar
e tão desajustado,
eu já sei me virar
mas só pro lado errado

Tem quem brinque mais tempo,
mas é o mesmo resultado.

Tetris
não
tem
fim.

Agora mais depressa,
ainda incompleto.
Não tem como prever,
não tem um jeito certo.

E sempre tem buracos
nos meus versos de concreto.

Tetris
   não
   tem
   fim.